Algumas Considerações sobre o Aikido

O aikido deve ser considerado mais uma arte que uma luta, ou um esporte. Arte, pela busca do aprimoramento pessoal em todos os sentidos: da pessoa consigo mesma e dela com a sociedade e o universo que a cercam. Não é luta porque o praticante de aikido prepara seu espírito e seu corpo para a harmonia, a paz, a construção, a soma e não para a destruição ou para a violência. Não é esporte porque o praticante não recebe preparo físico para se tornar um atleta, muito menos um competidor em arenas. Não há preparação para campeonatos nem para o recebimento de troféus e medalhas. A única luta que o aikido propicia ao praticante é contra seu próprio ego, em especial seus impulsos e tentativas de subjugar outro ser humano pela força. O praticante de aikido não treina diariamente para brigar ou lutar contra seu semelhante mas para respeitá-lo, ou fazer com que uma situação hostil seja controlada ou um eventual agressor mude de idéia ao pretender atacar. O treino diário prepara o praticante de aikido para eliminar os conflitos a que todos estamos sujeitos no dia-a-dia. Em caso de extrema necessidade, as técnicas de aikido possibilitam ao praticante primeiramente evitar um conflito ou uma situação de ataque físico, real. Depois, em esquivar-se, a fim de evitar ser atingido e, por fim, se caso for, a desestimular o atacante mediante movimentos de imobilização e ou projeção. Os movimentos corporais praticados durante o treino de aikido trazem incontáveis benefícios ao praticante: saúde e bem estar de um modo geral. Relaxamento, concentração, coordenação motora, disciplina, auto-estima, respeito ao próximo, elevação de princípios morais e sociais. O aikido entende não fazer sentido ensinar um ser humano a bater em outro, pois o risco de bater é o mesmo risco de apanhar. Isso gera luta, conflito e negatividades. Bater e apanhar trazem sofrimentos físicos, o que é contrário à idéia de aikido. Mesmo porque bater e apanhar usando mãos e pés faziam muito sentido em situações históricas em que os homens precisavam se defender estando desprovidos de armas. Atualmente, com o desenvolvimento tecnológico armamentista, não faz sentido aprender a bater nos semelhantes com as mãos e os pés, sendo o eventual agressor portador de armas avançadas. Assim, o treinamento de aikido visa aprimorar o ser humano, enquanto microcosmos e melhorar seu relacionamento com os demais seres que o cercam: colegas de treino, família, vizinhos, colegas de escola e de trabalho e, de um modo todo especial, com o meio-ambiente, a natureza, o universo. Caso tivesse sexo, o aikido seria feminino, por força das semelhanças encontradas entre ele e as leis da natureza: a simplicidade, a suavidade, a leveza, as formas curvas. Para se compreender isso com facilidade, basta compreender como é difícil criar conflitos, ou contrariar crianças, o curso das águas, o caminho dos ventos e as mulheres, por exemplo. Todos conhecem as consequências de se agredir a natureza. Por isso mulheres, crianças e homens de qualquer idade se adaptam ao aikido, como o aikido se adapta a quem a ele se dedica.

Nereu Peplow

O Fundador do Aikido

Em 1883, nasceu em Tanabe, Japão, o fundador do Aikido, Morihei Ueshiba, cuja excepcional aptidão pelas artes marciais levou-o a praticar e tornar-se mestre em várias delas: Yagyuryu Jiujutsu, Shinkagueryu Kenjutsu, Daitoryu Aikibujutsu, Aikijiujutsu, entre outras. Além disso, dedicou-se aos estudos de uma religião original e tradicional do Japão.
Sua principal influencia foi do Daitoryu Aikijiujutsu. Ueshiba sensei desenvolveu uma arte marcial voltada para a paz. Isto significa dizer que O AIKIDO tem como princípio básico não vencer o oponente mas a si próprio.
Consagrado como "Homem invencível" dedicou-se a aprofundar sua espiritualidade, atingindo o Satori (iluminação). A partir da visão de que a origem do budo (caminho do guerreiro) é a manutenção do espírito de amor universal, compreendeu que as artes marciais não deveriam ser um instrumento para conduzir o mundo à destruição pelas armas, e sim, um caminho para realizar o pleno potencial divino contido no homem. Esta notável visão foi o início do Aikido.